
'Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.'
A Paixão Segundo G.H. - Clarisse Lispector




Um comentário:
Perfeito!
Estranhamente doce. Gosto muito.
teve uma peça esses dias, no Goiânia Ouro, baseada nesse livro.
Chamada "Amor-te: O amor segundo a morte", ouviu falar?
;**
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